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Meta, TikTok e Youtube em tribunal por alegados impactos negativos na saúde mental de jovens
A primeira fase do processo inclui a seleção do júri, que se deverá estender, pelo menos, até quinta-feira, com 75 potenciais jurados a serem questionados todos os dias.
Inicia-se esta semana o julgamento pelo Tribunal Superior da Califórnia, no Condado norte-americano de Los Angeles, das plataformas Instagram, TikTok e Youtube, acusadas de promover intencionalmente dependência digital e provocar uma crise de saúde mental em crianças e jovens.Esta é a primeira vez que as três empresas de tecnologia vão ter oportunidade de se defender perante um júri das acusações de que são alvo e que incluem alegados impactos negativos na saúde mental de crianças e jovens.
Este julgamento surge como um bellwether trial, um modelo judicial norte-americano que funciona essencialmente como um caso-teste para futuros processos semelhantes.
Entre um grande conjunto de “procedimentos de massa”, são selecionados casos para ir em primeiro lugar a tribunal, de forma a avaliar a força dos argumentos de ambas as partes, prever os resultados dos júris e ajudar a definir os valores atribuídos a cenários equivalentes.
A ação judicial tem por base a denúncia de uma jovem de 19 anos, somente identificada pelas inicias “KGM”, bem como queixas-crime de outros dois indivíduos contra as redes sociais Instagram da Meta, TikTok da ByteDance e YouTube do Google.
A Snap Inc., proprietária do Snapchat, constituía um quarto arguido visado no processo judicial, estando agora ilibada por um acordo celebrado a semana passada. O valor do ajuste formal não foi divulgado.
No seu depoimento, KGM afirma que a exposição às redes sociais desde a infância lhe provocou uma dependência tecnológica, associada ao agravamento de problemas de saúde mental, como depressão e pensamentos suicidas.
O processo em tribunal, explicado pela Associated Press, declara que os proprietários destas plataformas digitais desenvolvem intencionalmente ferramentas e designs que incentivam ao vício nas redes sociais, com o objetivo de aumentar os seus lucros.
Atualmente, a Meta, a Bytedance e a Google encontram-se abrigadas pela Primeira Emenda e pela Secção 230 da regulamentação dos Estados Unidos da América, que isenta as empresas de tecnologia de responsabilidade pelo conteúdo publicado nas suas plataformas.No entanto, se o argumento obter provimento do tribunal de Los Angeles, pode vir a contornar a norma vigente.
A Associated Press acrescenta que, no processo judicial, as empresas tecnológicas são acusadas de se “inspirarem fortemente em técnicas comportamentais e neurobiológicas utilizadas nas máquinas de jogo e exploradas pela indústria do tabaco”, ao “incorporarem deliberadamente nos seus produtos um conjunto de recursos de design destinados a maximizar o envolvimento dos jovens, com o objetivo de impulsionar a receita publicitária”.
De igual modo, a agência de notícias refere que especialistas estabelecem simetrias entre este julgamento e os processos movidos contra as grandes empresas de tabaco, que culminaram, em 1998, num acordo que obrigou as mesmas ao pagamento de biliões de dólares em custos de saúde e à imposição de restrições ao marketing dirigido a menores.Mark Zuckerberg, número um da Meta, deverá ser uma das testemunhas do processo, que deverá decorrer durante um período de seis a oito semanas.
A ação judicial sustenta que “os queixosos não são meros danos colaterais dos produtos dos réus”, mas sim “vítimas diretas de escolhas intencionais de design de produto feitas por cada réu”, que “os empurraram para ciclos de feedback autodestrutivos”.
As empresas visadas negam todas as acusações, defendendo-se com referência às várias salvaguardas que alegam terem sido implementadas ao longo dos anos e argumentando que não são responsáveis pelo conteúdo publicado por terceiros nas suas plataformas.
A Meta, numa publicação recente no seu blogue, afirmou que a atribuição de responsabilidade às redes sociais por problemas de saúde mental é uma “abordagem que simplifica excessivamente uma questão séria", considerando que esta "ignora a investigação científica e os múltiplos fatores de stress que afetam os adolescentes atualmente, como a pressão académica, a segurança nas escolas, os desafios socioeconómicos e o abuso de substâncias”.
O caso, que começa a ser julgado esta semana, é apenas o primeiro de uma vasta lista de processos semelhantes que deverão chegar a tribunal ainda este ano.
Este julgamento surge como um bellwether trial, um modelo judicial norte-americano que funciona essencialmente como um caso-teste para futuros processos semelhantes.
Entre um grande conjunto de “procedimentos de massa”, são selecionados casos para ir em primeiro lugar a tribunal, de forma a avaliar a força dos argumentos de ambas as partes, prever os resultados dos júris e ajudar a definir os valores atribuídos a cenários equivalentes.
A ação judicial tem por base a denúncia de uma jovem de 19 anos, somente identificada pelas inicias “KGM”, bem como queixas-crime de outros dois indivíduos contra as redes sociais Instagram da Meta, TikTok da ByteDance e YouTube do Google.
A Snap Inc., proprietária do Snapchat, constituía um quarto arguido visado no processo judicial, estando agora ilibada por um acordo celebrado a semana passada. O valor do ajuste formal não foi divulgado.
No seu depoimento, KGM afirma que a exposição às redes sociais desde a infância lhe provocou uma dependência tecnológica, associada ao agravamento de problemas de saúde mental, como depressão e pensamentos suicidas.
O processo em tribunal, explicado pela Associated Press, declara que os proprietários destas plataformas digitais desenvolvem intencionalmente ferramentas e designs que incentivam ao vício nas redes sociais, com o objetivo de aumentar os seus lucros.
Atualmente, a Meta, a Bytedance e a Google encontram-se abrigadas pela Primeira Emenda e pela Secção 230 da regulamentação dos Estados Unidos da América, que isenta as empresas de tecnologia de responsabilidade pelo conteúdo publicado nas suas plataformas.No entanto, se o argumento obter provimento do tribunal de Los Angeles, pode vir a contornar a norma vigente.
A Associated Press acrescenta que, no processo judicial, as empresas tecnológicas são acusadas de se “inspirarem fortemente em técnicas comportamentais e neurobiológicas utilizadas nas máquinas de jogo e exploradas pela indústria do tabaco”, ao “incorporarem deliberadamente nos seus produtos um conjunto de recursos de design destinados a maximizar o envolvimento dos jovens, com o objetivo de impulsionar a receita publicitária”.
De igual modo, a agência de notícias refere que especialistas estabelecem simetrias entre este julgamento e os processos movidos contra as grandes empresas de tabaco, que culminaram, em 1998, num acordo que obrigou as mesmas ao pagamento de biliões de dólares em custos de saúde e à imposição de restrições ao marketing dirigido a menores.Mark Zuckerberg, número um da Meta, deverá ser uma das testemunhas do processo, que deverá decorrer durante um período de seis a oito semanas.
A ação judicial sustenta que “os queixosos não são meros danos colaterais dos produtos dos réus”, mas sim “vítimas diretas de escolhas intencionais de design de produto feitas por cada réu”, que “os empurraram para ciclos de feedback autodestrutivos”.
As empresas visadas negam todas as acusações, defendendo-se com referência às várias salvaguardas que alegam terem sido implementadas ao longo dos anos e argumentando que não são responsáveis pelo conteúdo publicado por terceiros nas suas plataformas.
A Meta, numa publicação recente no seu blogue, afirmou que a atribuição de responsabilidade às redes sociais por problemas de saúde mental é uma “abordagem que simplifica excessivamente uma questão séria", considerando que esta "ignora a investigação científica e os múltiplos fatores de stress que afetam os adolescentes atualmente, como a pressão académica, a segurança nas escolas, os desafios socioeconómicos e o abuso de substâncias”.
O caso, que começa a ser julgado esta semana, é apenas o primeiro de uma vasta lista de processos semelhantes que deverão chegar a tribunal ainda este ano.